É dessa época, a criação da “Equipe A” – que reuniu : Antônio Augusto Amaral de Carvalho, Manoel Carlos, Raul Duarte e eu. Criamos alguns programas que marcaram a televisão brasileira.

Quem não se lembra do “Fino da Bossa”, comandado pela dupla inesquecível – Elis Regina e Jair Rodrigues? Quem esqueceu “Família Trapo”, “Esta Noite se Improvisa”, “Bossaudade”, “Alianças para o Sucesso”, “Show em SI Monal” , “Programa Hebe Camargo”?

Os programas eram transmitidos ao vivo do Teatro Record e as pessoas se produziam para assisti-los. Era platéia A/B, nos seus melhores figurinos, penteados, jóias. Tive o privilégio de dirigir temporadas internacionais com Marlene Dietrich, Nat King Cole, Sammy Davis Jr., Charles Aznavour , ainda quase um desconhecido no Brasil. Sua estréia foi patética, com pouco mais de 30 pessoas na platéia.

Como os shows eram ao vivo ensaiávamos muito. Eu me lembro que antes de começar a temporada, Marlene Dietrich ficou no palco fazendo teste de luz, das 11 horas da noite às 6 da manhã. Seu pianista, que ficava no fosso da orquestra, tinha mais ou menos a minha idade, era ninguém menos que Burt Baccarat. Era um mundo de muito trabalho com grandes doses de glamour e fascínio. Mas tínhamos também a nossa parcela de estresse:

O cantor norte americano Steve Wonder, participou uma vez do show de entrega dos Prêmios Roquete Pinto. Depois de ensaiar durante o tempo que achamos necessário, ele resolveu exigir seu cachê antes do show. Fincou pé na porta do Teatro Augusta e repetia – “No money, no show” até que o empresário Marcos Lázaro, avisado às pressas, chegasse com o dinheiro.

As gravadoras não interferiam nos projetos musicais, como hoje. Nem havia pesquisa instantânea do IBOPE. O termômetro da audiência era o eco no dia seguinte, a repercussão observada nas conversas de rua e nos próprios bastidores artísticos, políticos e esportivos.

E os patrocinadores confiavam. A preocupação era fazer uma televisão que permitisse o acesso do público a grandes espetáculos. Se naquela época existisse IBOPE, a televisão brasileira teria morrido em fase de crescimento.