Era esse o grito de socorro que usávamos na era pré -vídeo tape, quando os programas eram feitos ao vivo e não havia efeitos especiais capazes de dissimular surpresas no ar. O Break era o intervalo comercial.

Com o comercial no ar tínhamos tempo de ir até o estúdio e concertar a situação. Mas às vezes nem isso resolvia.

Eu me lembro que no inicio da TV Record realizávamos peças de teatro completas ao vivo e durante “A Dama das Camélias” com Cacilda Becker e Walmor Chagas, aconteceu um episódio que marcou meu inicio de carreira. Eu era o diretor de TV e comandava 3 câmeras simultâneas, quando numa cena dramática percebi Cacilda virar de costas e começar a rir convulsivamente. Tirei o som do estúdio , avisei que ia abrir a plano geral para que eles pudessem se recompor e retomar o texto. Aí veio a surpresa – em plano geral pude ver o chão molhado e um filete líquido, escorrendo por debaixo da saia balão de Cacilda. A Dama das Camélias simplesmente havia urinado em cena! Desta vez nem o “chama Break” resolveu…

Outro momento inesquecível aconteceu durante o Festival de Música da Record quando o compositor Sérgio Ricardo, irado com as vaias que recebia, quebrou o violão e o atirou sobre a platéia. Confesso que fiquei tão fascinado com a cena que pedi o comercial tarde demais. E essa cena marcou toda uma geração.

A realidade da MPB nasceu na TV Record . Toda essa geração que está aí surgiu e cresceu nos festivais da Record . Nessa época, apesar dos Beatles estarem no auge, vendendo milhões de discos em todo o mundo, nós batalhávamos pela nossa música, perseguidos por um inimigo – a censura da ditadura militar. E era pior a cada dia. Eu ia pelo menos duas vezes por semana à Polícia Federal , na Av. Brigadeiro Luís Antônio, em S. Paulo. Faziam uma espécie de reunião para avaliar os programas . Diziam que muitos dos nossos textos tinham intenções contrárias à política do governo e às tradições do país. Afirmavam que não queriam me agredir, mas que eu estava sob observação, que sabiam do meu filho, de minha mulher, quanto eu ganhava. Foi um período ameaçador, castrador.