Só “Roquetes Pintos”, colecionei 7 . Nessa fase costumava trabalhar de domingo a terça sem sair da emissora. Até levava objetos pessoais para complementar os cenários.

Em todos esses anos, a televisão consumiu tanto da minha vida que temo ter dedicado a ela, mais tempo do que à minha família.

Trabalhar em televisão é ser colocado em xeque todos os dias, em termos de criatividade, paciência, talento, compreensão.

É não se deixar ofuscar por falsos brilhos, é saber administrar o seu ego e principalmente o dos outros, é saber conduzir tantas pessoas à fama e depois não se sentir traído pela ingratidão e o esquecimento de muitos. Enfim, é dar sem esperar retribuição.

Desafios são Saudáveis . Nestas quase 5 décadas de carreira, entre acertos e desacertos,ficaram algumas certezas : meu trabalho sempre foi feito com garra, honestidade, entusiasmo, envolvimento que graças a Deus, não arrefeceram 47 anos depois. Não sei por conta de que mistério genético, foi transmitido a meu filho Marcelo, uma boa dose dessa paixão. E aí está mais um Travesso, colecionando experiências, vivendo emoções, guardando histórias , para conta-las sabe Deus quando. É o ciclo da vida.

Não vivo do passado, mas uma certa nostalgia é saudável. Me faz rever posições , repensar estratégias e continuar querendo arriscar, lutar.

Aos 67 anos, resolvi canalizar minhas energias para a Oficina de Formação de Atores , um velho sonho e um novo desafio. Mas desafios são saudáveis nesta idade. E eu sempre estive pronto a enfrentá-los.

Nilton Travesso.

N.A.- “Este texto foi publicado na íntegra no livro 50 / 50 de José Bonifácio de Oliveira sobrinho – o Boni, lançado em 2.000 por ocasião das comemorações dos 50 anos da Televisão Brasileira, onde ele reuniu depoimentos dos 50 pioneiros da TV no Brasil”.